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A banalização do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) vira debate

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August 23, 2022
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<p>Nos últimos dias, a sigla TDAH (Trastorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) foi um dos assunto mais comentados no Twitter. A discussão entre os usuários envolvia a popularização do assunto. Alguns ressaltaram a importância de falar sobre esse tipo de transtorno neurobiológico, já outros, comentavam uma possível banalização do distúrbio.</p>

<p>Uma pessoa comentou que outros usuários têm usado os sintomas de TDAH como um traço de personalidade, mas que na verdade é um assunto muito sério para ser banalizado. </p>

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<p>Em outro tweet, um usuário se mostrou indignado com possíveis autodiagnósticos de outras pessoas.</p>

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<p>Este outro, fala sobre pessoas que estão comentando o grande número de pessoas que dizem ter o transtorno.</p>

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<p>Essa discussão acontece principalmente quando os sintomas são usados como características pessoais ou de personalidade, como compartilhado por essa imagem abaixo, que gerou grande debate na rede social. </p>

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<figure class="wp-block-image aligncenter"><img src="https://lh4.googleusercontent.com/7k4gOrsmAGX9_LsxrfVPIS08UZNUFlzuI1zD5g36_S3pDM3bBM9u54Bkw1YEEElyRJI7lmgAlu0KNQxwThMApCVtR4KAM50NoqGYP-KOPBE4O5-11wAm01oifUGmdDkoAfaoSd9kQpnDWwuu8qtP9GDbWavc4OgPcNTi1dSBy5uYHVZSXVnpWCPN" alt=""/><figcaption>  Imagem: reprodução do twitter</figcaption></figure>

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<p>Para falar melhor desse assunto, a Psicóloga Especialista em Neuropsicologia, Déborah Benevides, explica que os profissionais da área têm usado bastante as plataformas digitais para publicar textos e vídeos sobre o assunto, mas para gerar engajamento acabam apresentando pouca informação.</p>

<p>O Manual de Transtornos Mentais – DSM-5, é um livro muito usado por psicólogos e psiquiatras. É a partir dele que muitos profissionais se baseiam para citar traços que fazem parte das características de quem tem o transtorno.</p>

<p>“Tem alguns critérios [no livro] que fazem com que você se identifique e se ‘autodiagnostique’, e isso acontece pela globalização e pela falta de informação até mesmo dos profissionais”, esclarece a psicóloga.</p>

<p>Déborah também ressalta a importância da psicologia, e do cuidado que os profissionais precisam ter para que essa ciência não se torne senso comum. </p>

<p>“Se você pesquisar algum transtorno do neurodesenvolvimento, provavelmente você vai se identificar com algum sintoma dali, só que as pessoas só veem esses sintomas. Os sintomas de TDAH são facilmente confundidos com os de uma pessoa que tem ansiedade. E a ansiedade é normal, um sentimento que prepara a gente pra alguma coisa, diferente de quem tem algum transtorno de ansiedade. Então, estados e transtornos são coisas diferentes”, aponta a especialista.</p>

<h2>O Perigo do Autodiagnóstico</h2>

<p>O autodiagnóstico de qualquer doença, seja ela física, mental ou do neurodesenvolvimento — como o TDAH —, pode ser muito perigoso.  Disseminar informações corretas é sempre importante e debater assuntos que ainda são um tabu também é necessário. E por ainda haver alguns estereótipos a respeito desse transtorno é preciso ir além dos sintomas mais básicos encontrados pela internet.</p>

<p>A psicóloga Déborah Benevides conta que o perigo do autodiagnóstico a respeito do TDAH está principalmente no estado emocional dos pacientes. </p>

<p>“Por exemplo, uma pessoa que tem uma desatenção muito grande e se sair mal em provas, tudo que ela quer é algo que justifique isso. E dependendo do estado emocional que ela está, se ela faz o autodiagnóstico, pode acabar justificando toda a vida dela considerado só aquele contexto, ao invés de procurar ajuda”, exemplificou. </p>

<p>A especialista também conta que geralmente as pessoas que descobrem o TDAH na fase adulta têm muitas crenças na inutilidade e que não conseguem fazer nada sozinhos. “Isso é uma coisa que você tem que trabalhar para além do diagnóstico, porque é o que a pessoa acredita que ela é. Por isso é preciso ter muito cuidado com o autodiagnóstico”, alertou Déborah.</p>

<p>Por isso, é preciso consultar um especialista para ter certeza do que se trata esses possíveis sintomas. O autodiagnóstico pode acabar limitando ainda mais o desenvolvimento pessoal. Mas quando esse reconhecimento é feito por profissionais, o paciente pode ser orientado da melhor maneira, e lidar melhor com esse transtorno.</p>

<h2>Diagnóstico de TDAH</h2>

<p>A psicóloga relata que o diagnóstico de TDAH não é tão simples, pois se trata de um transtorno do neurodesenvolvimento, que nasce junto com a pessoa, diferente da depressão ou do transtorno de ansiedade que é multifatorial e podem ser desenvolvidos ao longo da vida. </p>

<p>Uma criança que cresce sem o tratamento para esse transtorno não consegue melhorar sozinha, e muitas vezes passa despercebido, se for o tipo desatento. Na fase adulta, o TDAH fica muito mais evidente e tende a piorar.</p>

<p>“O TDAH mexe em estruturas específicas do seu cérebro que só dependem de ti. A organização, planejamento, organização perceptual, principalmente se for do tipo desatento”, destaca Déborah.</p>

<p>Para ter um diagnóstico de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade em um adulto que não tem acesso a informações da infância, não é possível basear-se somente nos sintomas, pois é preciso que o paciente esteja com sono, alimentação, atividade física e até a libido bem alinhadas. Caso contrário, se a pessoa não tem uma qualidade de sono muito boa, por exemplo, pode apresentar vários sintomas de quem tem TDAH. </p>

<p>“Se esse tipo de coisa não está alinhada, você não pode fazer nenhum tipo de diagnóstico. Porque nessas horas, podem aparecer sintomas de transtornos depressivos ou transtorno atencionais do neurodesenvolvimento. Então antes de fazer um diagnóstico, tudo tem que estar alinhado, você tem que preparar o paciente para isso”, explica a especialista.</p>

<p>Então, não basta apenas conhecer os sintomas do transtorno ou se identificar com algum deles, não é um teste de internet que vai apresentar um diagnóstico. É preciso investigar junto com um especialista e, se identificado transtorno, realizar os tratamentos. </p>

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