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8 dos 10 municípios que mais emitem gases do aquecimento global no Brasil estão na Amazônia

Escrito por
Redação
June 12, 2022
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<p>Entre os 10 municípios brasileiros que mais emitem gases do efeito estufa, os causadores do aquecimento global, <strong>oito estão na Amazônia — cinco deles no estado do Pará</strong>. Os dados são referentes ao ano de 2019, estimativa mais recente disponível para o país, e foram divulgados nesta segunda-feira (13) pelo Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).</p>

<p>Altamira (PA), São Félix do Xingu (PA) e Porto Velho (RO) lideram entre os 5.570 municípios brasileiros. Todas as oito cidades da Amazônia estão no topo da lista pelo mesmo motivo: desmatamento. A região Norte representa 60% de todo o carbono liberado no país.</p>

<p><strong>Municípios e emissões de gases do efeito estufa (dados em milhões de toneladas de CO2e):</strong></p>

<!-- wp:list {"ordered":true} -->

<ol><li><strong>Altamira</strong> – 35,2</li><li><strong>São Félix do Xingu</strong> – 28, 9</li><li><strong>Porto Velho </strong>– 23,3</li><li><strong>Lábrea</strong> – 23,2</li><li><strong>São Paulo</strong> – 16,6</li><li><strong>Pacajá</strong> – 16,2</li><li><strong>Novo Progresso</strong> – 14,9</li><li><strong>Rio de Janeiro</strong> – 13,8</li><li><strong>Colniza</strong> – 13,5</li><li><strong>Apuí </strong>– 12,5</li><li><strong>Novo Repartimento</strong> – 11,9</li></ol>

<p>Entre as 35,2 milhões toneladas de CO2e (unidade de medida que reúne todos gases, do carbônico ao metano) emitidas por Altamira, 33,4 milhões estavam relacionadas com o desmatamento. A cidade paraense tem população estimada em 117 mil habitantes, ou seja, é quase 100 vezes menos populosa do que a cidade de São Paulo, mas contabiliza o dobro das emissões.</p>

<p>Se Altamira fosse um país, estaria no 108º lugar no mundo em emissões de gases de efeito estufa, atrás da Suécia e da Noruega. Em 2019, ano da estimativa do SEEG, Altamira foi a líder em desmatamento da Amazônia, com 575 km² de floresta perdidos, e também vice-líder em queimadas, com 3,8 mil focos de calor detectados, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).</p>

<p>A estimativa por município feita pelo SEEG, projeto do Observatório do Clima, organização com mais de 70 representantes da sociedade civil, é gerada segundo as diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) com base nos Inventários Brasileiros de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases do Efeito Estufa, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI).</p>

<h2>Mas como o desmatamento libera carbono?</h2>

<p>Quando qualquer árvore morre, seja por decomposição ou por queima, ela emite carbono. Para os dados do SEEG, a unidade de medida é a tonelada de CO2, mas a floresta derrubada também emite outros gases: o metano (CH4), que equivale a 25 toneladas de CO2; e o óxido nitroso (N2O), que equivale a 270 toneladas.</p>

<p>"Se a floresta tem 200 toneladas de carbono vivas, e essas 200 toneladas vão oxidando depois do desmate, o carbono vira CO2 e, se está em condições anaeróbicas (sem oxigênio), pode até virar metano", explica Tasso Azevedo, coordenador do SEEG.</p>

<p>É por isso que os municípios da Amazônia apresentam dados altíssimos de emissões por habitante — eles têm poucos moradores, mas muito desmate. Novo Progresso, que registrou o Dia do Fogo em 2019, uma ação coordenada por fazendeiros, empresários e produtores rurais para queimar áreas protegidas próximas à BR-163, tem o maior índice per capita do país: são 580 toneladas de CO2 por ano. A média global anual é de 7 toneladas de CO2e por habitante.</p>

<blockquote class="wp-block-quote"><p>Ou seja: em Novo Progresso, se o dado representasse de fato as emissões das pessoas, e não o desmatamento da região, seria como se cada cidadão estivesse dirigindo, todos os dias, mais de 500 carros por um trajeto 20 km.</p></blockquote>

<h2>São Paulo e Rio de Janeiro</h2>

<p>São Paulo e Rio de Janeiro são o ponto fora da curva na lista de 10 municípios que mais emitem no país. As metrópoles apresentam causas diferentes para liberação do carbono: energia e resíduos.</p>

<p>As cidades mais populosas têm no setor de energia sua principal causa de liberação de carbono - que também é o principal motivo das emissões do planeta, representando 76% do total, segundo dados da plataforma Climate Watch.</p>

<p>A capital paulista lidera as emissões no setor de energia com 11,9 milhões de toneladas de CO2e. Apesar de não estar na lista geral das 10 cidades mais emissoras, Manaus é a segunda cidade que mais libera carbono para a produção energética no país: são 7,5 milhões de toneladas de CO2e. Em terceiro lugar pelo setor, está o Rio.</p>

<p>A capital do Amazonas, apesar de ter metade da população da carioca, tem o maior número de termoelétricas do país - causa da alta taxa de emissões. Em momentos de crise hídrica, o governo tende a aumentar esse tipo de geração de energia, que é feita por meio da queima de combustíveis como óleo e gás natural. O modelo é mais emissor de carbono do que o solar, eólico e hidrelétrico.</p>

<p>Já o setor de resíduos - do lixo produzido pelo brasileiro - representa 5% da contribuição do país para o aquecimento global. O Rio é o maior responsável, com 5,5 milhões de toneladas de CO2e — São Paulo reúne mais habitantes, mas tem um aproveitamento energético de biogás de aterros sanitários que reduz o índice na comparação com os cariocas.</p>

<h2>Municípios negativados</h2>

<p>Um grupo de 11 municípios brasileiros tem emissões negativas. Como isso é possível?</p>

<p>Caieiras, no interior de São Paulo, teve - 1.264 milhões de toneladas de CO2e liberadas na atmosfera. Felipe Barcellos e Silva, pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), explica que essas 11 cidades têm aterros sanitários que, além de receber resíduos de outras regiões do país, ainda utilizam as emissões para a produção de energia.</p>

<p>"São municípios que têm aterro sanitário e que recebem resíduos sólidos de outros municípios. E, por outro lado, eles aproveitam o gás metano que é produzido nesse aterro sanitário. Então, na verdade, é uma questão de cálculo: a emissão está contabilizada na cidade da produção do lixo, mas o aproveitamento fica contabilizado na cidade que recebeu o resíduo", explica.</p>

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<p>Fonte: <a href="https://g1.globo.com/meio-ambiente/aquecimento-global/noticia/2022/06/13/8-dos-10-municipios-que-mais-emitem-gases-do-aquecimento-global-no-brasil-estao-na-amazonia.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">g1</a></p>

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